Coluna do Rei

 

O Xadrez é, essência, uma luta entre o espírito e a matéria

Jefferson Rian da Silva
 


O jogo de xadrez tem por objetivo colocar o Rei sob ataque de uma ou mais peças, exceto pelo Rei adversário, pois, pela regra, Rei não pode atacar Rei. O ataque ao Rei é denominado Xeque! Se o Rei atacado não puder capturar a peça atacante, por estar defendida, e não dispuser de casa livre para fuga, diz-se que é Xeque-Mate!, isto é, “Rei Morto”, vitória final do lado atacante.
Nesta luta a força de cada peça depende do número de casas pelas quais pode se mover a cada lance. Baseada nesta capacidade de mobilização tem-se a seguinte valorização: Peão=1, Cavalo e Bispo=3, Torre=5, e Dama=10. Ao Rei não se atribui valor, pois a sua perda significa derrota. Esses valores expressam uma força potencial, que representa a Matéria. As regras do jogo, todavia, implicam na interferência de forças virtuais, oriundas das posições que se criam no tabuleiro, os quais representam o Espírito.
No desenvolvimento do jogo, frequentemente essas forças virtuais fazem com que o lado que acumula a maior força material nem sempre vença. Um humilde peão, por exemplo, pode abater 1 Rei adversário cercado de todos os seus maiores oficiais. Assim o Xadrez mostra que o espírito pode suplantar a matéria!!!
Como no princípio todas as forças são iguais, o Xadrez é, essência, uma luta entre o espírito e a matéria, e, como na vida, nem sempre quem está materialmente superior obtém a vitória final.
Os movimentos peculiares de cada peça e a interferência que umas exercem sobre as outras, adversárias ou não, criam enorme complexidade estratégica e um fabuloso número de possibilidades matemáticas. Assim é que, após o 1º lance, surgem 400 possibilidades diferentes, número que após o 10º lance ascende a 169 octilhões, 518 setilhões, 829 sextilhões, 100 quintilhões, 544 quatrilhões de possibilidades diferentes. Certamente, expressa a pluralidade existente no mundo…
O autor é heptacampeão estadual e Presidente da Federação Rondoniense de Xadrez